UMA EMOCIONANTE E TRANSFORMADORA PARTIDA DE TÊNIS

Imagine uma partida de tênis. Imagine também um excelente Jogador que se julga muito preparado e apto a vencer. Imagine que essa partida é decisiva, importante e de extrema importância para a carreira dele como jogador e não vencê-la é algo que ele não considera.

 

A partida começa e a bola não encosta no chão e os jogadores por extrema habilidade devolvem ela ao oponente de maneira imediata e com precisão. Aquela partida que o Jogador imaginava ser algo fácil, em determinado momento se torna dolorosa, cansativa e muito difícil.

 

Agora imagine a performance do jogador com riqueza nos detalhes. Ele age dentro da quadra exatamente como aprendeu, aplica suas habilidades, algumas em excesso e outras se esquece de utilizar. Fica exausto e começa a sentir no corpo a exaustão e alguns sintomas daquilo que ele de fato está exposto, mas principalmente, começa a sentir sintomas físicos devido ao descontrole da mente.

 

Em vários momentos durante essa partida, o Jogador perde o foco e o desejo de ganhar porque não controla suas emoções e os ataques muito rápidos e certeiros de seu adversário. Ele inconscientemente aciona todas as informações técnicas que têm armazenadas em sua mente, mas não consegue executá-las porque é tomado pelas suas emoções, especialmente o medo de perder. A plateia começa a vaiá-lo e ele perde definitivamente o controle. A partir daquele momento, o Jogador utiliza todos os seus mecanismos de defesa, como contra-ataque, mas acaba cometendo falhas seguidas de falhas, até que o primeiro set é encerrado e ele se vê com o placar baixo. Como o Jogador se julgava autossuficiente, ele não tinha um técnico, nenhum treinador, ele estava acostumado a vencer sozinho, por mérito, experiência e domínio de técnica. Nas pausas e nos intervalos, ele já não lembrava mais o motivo de estar ali, ele se desconectou do seu maior propósito que era vencer.

 

Os fatores externos e as atuais circunstâncias geraram um descontrole e ele esqueceu as regras do jogo e o que de fato ele deveria fazer para vencer a partida. A partida acaba e ele perde. Tamanho é o desconforto que diversos sentimentos afloram, dentre eles os mais temidos e devastadores: medo, raiva, culpa, tristeza, indignação, desmotivação e a certeza de que sozinho ele já não consegue mais voltar às quadras depois daquela partida.

 

O Jogador após dias tentando se recuperar dos impactos negativos daquela partida, se vê sentado em um banquinho, olhando para um espelho. Encara sua vaidade, revive aquela partida e resolve fazer uma escolha: ele decide buscar mais conhecimentos, lê sobre o esporte, busca referências de grandes jogadores de tênis, porém tudo é em vão, ele desaprendeu e já não sabe mais como prosseguir, por onde começar e como se sentir de novo um vencedor.

 

Sem saída, o Jogador opta por contratar um treinador, alguém com outra visão que vá ajudá-lo e dizer exatamente o que ele deve fazer. Quando finalmente ele escolhe um treinador, esse Treinador não corresponde a nenhuma das suas expectativas. Ao invés de mostrar como se faz e o que fazer, o Treinador começa a fazer diversas perguntas impactantes após ouvi-lo, logo no primeiro dia. O Treinador não se importa com o que ele vê, lembra, reconhece e sente. Ele vai além e busca entender o que o Jogador não vê, não lembra, não reconhece, mas sente. Percebe que o Jogador tem algo dentro de si pulsando fortemente, como se a boca dele dissesse uma coisa, e os olhos outra. É como se o jogador dissesse: “Eu não posso mostrar isso para o mundo, e essa é a minha defesa!”.

 

O Jogador começa a julgar sua escolha e o Treinador, ele esperava por uma aula, um exemplo, um abraço, colo, alguém que pegasse na mão e dissesse eu vou fazer pra você, eu vou fazer por você.  Mas a única coisa que o Treinador diz é:
 “- Você é responsável pelo que faz e por quem você é!”.

 

Decepcionado, ele vai embora disposto a não voltar. Em casa em seus momentos de reflexão, intimamente ele se sente mexido por algumas perguntas feitas pelo Treinador e começa a olhar para si, de uma forma mais profunda. Deixa de lado seus julgamentos e começa a buscar raízes de suas emoções. Como já havia agendado, ele retorna para mais um dia com seu treinador. Prepara-se, vai armado e vai cheio de frases de efeito na ponta da língua, no intuito de fazer o Treinador entender o que ele deseja que o treinador faça.

 

Começa o treino, e o Jogador despeja tudo imediatamente, por instinto e acúmulo de frustrações. Seu discurso termina com a seguinte frase:

 

“- Eu não aguento mais me sentir assim, faça alguma coisa!”.

 

Após ouvir, o Treinador de maneira imparcial, olha dentro dos olhos do Jogador e diz:

 

“- O que você pode fazer diferente de tudo que tem feito, para mudar como se sente?”

 

O Jogador exaltado e muito irritado diz:

“- Não sei, não sei! Eu não sei e se eu soubesse não estava aqui, eu te contratei para isso!”.

 

O Treinador olha fixamente bem dentro dos olhos do Jogador e diz:

“- Pensa!”.

 

E fica encarando-o por exatos 60 segundos. O Jogador sente um movimento inédito em sua mente, como se dois sujeitos estivessem se empurrando dentro de seu cérebro.

 

Incomodado e constrangido, ele não vê alternativa, a não ser dar uma resposta. Quando respondeu, achou que poderia voltar pra quadra, sentiu certo alívio. Até que sua resposta gerou outra pergunta do Treinador. O Jogador respondia e com base na sua resposta o Treinador devolvia com uma pergunta de muito impacto. Esse ciclo se repetiu por algumas vezes e algo aconteceu. O Jogador iniciou um processo de transformação. Quando ele já não sabia responder o que deveria fazer, o treinador pediu que ele imaginasse como um outro jogador que ele admirava muito, agiria naquele momento.

 

Passados alguns treinos, o Jogador sabia claramente enxergar seus pontos fortes, seus pontos a desenvolver, suas referências emocionais e seus objetivos e metas. Com base nessas informações, ele se reconectou ao vencedor que morava dentro dele. Ele entendeu que para vencer uma partida, ele precisaria saber exatamente cada passo, cada gesto, cada sacada e ter planos alternativos quando algo desse errado. O fato de maior relevância foi: Ele entendeu que ele precisaria controlar suas emoções, se não tudo seria em vão e que o Treinador o ajudou a ter essas clarezas, mas a responsabilidade pelo que acontecesse com ele a partir dali, era dele.

 

Preparado e disposto a agir diferente, ele retornou ás quadras. Ele voltou á vida. 

 

O nome do treinador? Neurocoach.