NEUROCOACHING NO CÍRCULO DE MULHERES – Costume ancestral fortalecido por saberes contemporâneos

29/05/2019

 

A tarefa de aliar o Neurocoaching à prática do Círculo de Mulheres nos coloca frente a duas ferramentas de condução de pessoas pelo caminho que escolherem para transformar suas vidas, lançando mão de um processo de descoberta, aperfeiçoamento e apropriação de seus melhores desempenhos diante de obstáculos internos e externos.

 

De um lado, uma abordagem moderna de autopercepção e análise das próprias capacidades e possibilidades de enfrentamento de resistências emocionais; de outro, a formação de um ambiente confortável e seguro de iguais, trabalhando em grupo para o fortalecimento individual, bem como para a construção de uma rede de afirmação, humana primeiro, e depois de gênero e de lugar na sociedade.

 

Na junção de ambos os saberes, nos deparamos com um caminho científico, o Neurocoaching, e outro ancestral, o Círculo de mulheres. Estudando ambos, encontramos uma grande área de intersecção a partir da qual podemos desenvolver este estudo. Nessa intersecção, vislumbramos um mesmo objetivo – encontrar a meta para a transformação, a motivação e os meios para alcançá-la e ser feliz e bem sucedida.

 

Um Círculo de Mulheres é um círculo de iguais e de confiança. Diz-se dele um costume ancestral, resgatado de povos antigos por registros da História, da Mitologia e da Antropologia, reestudado e difundido por psicólogos e estudiosos do comportamento humano, a exemplo de Jean Shinoda Bolen, Clarissa Pinkola Estés e Mirela Faur. Os Círculos provavelmente nasciam das reuniões de Conselho nas sociedades matriarcais antigas, depois, nas tribos, para fortalecimento das mulheres que assumiam a gestão das comunidades enquanto os homens guerreavam e protegiam os territórios; em comunidades onde a administração da produção agrícola era responsabilidade das mulheres, pois era no Círculo que se reuniam para dividir tarefas e colheitas; Círculos para curas, para tecer colchas enquanto teciam as vidas da comunidade, para dançarem ou para guerrearem se preciso fosse e, mais adiante ainda; em Círculos, as feministas lutavam por seus direitos e protegiam umas às outras.

 

Atualmente, retomados após séculos de invisibilidade das mulheres, nele se pode construir acomodação para a percepção do desenvolvimento psicossocial envolvido, de modo a propiciar, para cada uma e no seu tempo, a constatação do desenvolvimento e resistências emocionais individuais.  A história do gênero, com o seus os afetos e sonhos individuais têm ali espaço para expansão.

 

Compartilhando experiências internas e externas, cada mulher descobre como sua individualidade é afetada pelas decisões coletivas, sejam elas de caráter social, familiar, religioso e até político e, assim, percebe quais são as amarras e quais mecanismos de defesa vem interpondo entre si e seus objetivos.

 

As práticas de um Círculo de mulheres são essencialmente lúdicas e de acolhimento. Mas na hora da expressão individual, cada uma traz seu retalho para tecer uma colcha de experiências; cada uma traz uma semente para nova colheita; cada uma traz um som de cura. Este é um dos conceitos de Círculo, juntar a força no seu centro.  Uma facilitadora de um Círculo saberá que deve cuidar para que não seja uma terapia em grupo, para que não tenha cunho religioso e místico apenas e para que cada mulher encontre dentro de si mesma a força e as respostas para o que veio buscar ou depositar no Círculo.

 

O Neurocoaching nos prepara para identificar comportamentos e reações como “feedback” de alguma questão, de uma situação ou mesmo da resposta a uma pergunta direta (PIN). O fluir de informações e vivências de um Círculo de Mulheres muito frequentemente dispara memórias de longo prazo e, na conexão com a proposta vigente, valiosas reflexões podem ser sugeridas.

 

Assim, na estrutura apreendida no treinamento de um neurocoach, a ação de “Ouvir” é ínsita à prática de um Círculo de Mulheres, pois é um código a ser respeitado por todas. As ações de “Reportar”, “Inspirar” e até mesmo “Entrepor” podem ser exercidas pela Facilitadora.

 

Tarefas podem ser sugeridas e retomadas a cada encontro. Em geral os encontros são mensais, mas um trabalho de Neurocoaching individual pode ser oferecido.

 

Por suas raízes múltiplas, a prática do Círculo de Mulheres também pode se apoiar no estudo da Mitologia, enquanto mapeamento de perfis psicológicos.  Verificamos que a leitura, compreensão e interpretação das simbologias dos mitos, deuses e deusas, como padrões de comportamento, podem gerar reflexões impactantes na analogia com a vida contemporânea.

 

Outro ponto em comum das práticas de um Círculo, que pode ser perfeitamente apoiado nas técnicas de Neurocoaching, é de que o Círculo não muda a vida das mulheres, suas vidas é que constroem o Círculo e o fortalecem. A transformação vem com o girar, circular o diálogo, as informações, experiências e comprometimento. O que há é autopercepção, encorajamento e vivência sem julgamentos.

 

Na mesma toada, aprendemos a respeito do Neurocoaching, que essa técnica não se dispõe a mudar vidas e nem a ditar regras e manuais milagrosos. O Neurocoaching conduz, revela e questiona de modo a que o tão sonhado manual do sucesso e da realização seja escrito pelas próprias mãos do coachee, contendo os seus próprios saberes, valores, talentos esquecidos ou adormecidos, coragem, no sentido etimológico da palavra – cor=coração e agem=agir, um agir com o coração. Pode vir a quebrar crenças construídas por medos, advindas de críticas alheias e injustas, de padrões que não fazem mais sentido; pode desmascarar falsos afetos ou desafetos; e finalmente expor a real infraestrutura, apoio e talento pessoal de cada um.

 

Ou seja, o Neurocoaching trabalha para tornar claros, a meta, recursos internos e recursos práticos para atingi-la, evidenciando o impacto que o alcance da meta desejada causará na vida da pessoa, do mesmo modo preparando-a para dar o primeiro passo e a planejar os próximos.

 

Ao planejar como atingir sua meta, um Círculo de Mulheres, de sua parte, a coloca frente com ela mesma e seu desenvolvimento psicossocial.  As potenciais coachees a partir daí são provocadas a acessarem seus desenvolvimentos pessoais, suas crenças e mecanismos de defesa.  Mergulham em práticas de autoconhecimento e também de solidariedade, no conforto e aconchego que o ambiente lhes oferece para se expressarem, o que, por outro lado permite que vivenciem questões pessoais e, do mesmo modo, o conflito de suas iguais no Círculo.  Essas práticas, em geral evidenciam a ligação entre algum bloqueio surgido com questões emocionais, memórias, padrões impostos pelo meio em que vivem ou até mesmo impostos por si mesmas.

 

Ao se expressarem a respeito, as técnicas de Neurocoaching podem ser muito produtivas para se promover a autopercepção.

 

Todavia, estamos cientes que não se trata de sessão de Neurocoaching em grupo, senão de uso daquela ciência como apoio às práticas circulares, potencializando seu êxito ou encaminhando suas componentes a um trabalho individual e completo de Neurocoaching.

 

De toda a sorte, propomos e vislumbramos de grande valia o uso dos conceitos e práticas de Neurocoaching na formação, atualmente retomada mundialmente, dos Círculos de Mulheres, na seara do resgate da capacidade das mulheres transformarem suas vidas e construírem ou reconstruírem seu sucesso e autoestima.

 

Não há fórmula, conselho ou julgamento definitivo, o que há é a essência de cada ser, que deve ser livre de amarras e mecanismos de defesa, livre de padrões sem justa causa, livre da prisão que se auto infrinja por ter perdido as chaves das grades construídas dentro de si. Que a nós, Neurocoachs, possa caber, com responsabilidade e amor, a grande honra de segurar a lanterna para que as chaves de cada um sejam encontradas e abram suas próprias trancas.