NEUROCOACHING COMO INSTRUMENTO NO PROCESSO DE RESSOCIALIZAÇÃO DA PESSOA PRESA EM REGIME DE SEMIABERTO

 O NeuroCoaching pode ser um instrumento eficiente de ressocialização, sendo que o processo de semiliberdade é um preparo para a pessoa privada de liberdade ter contato com a sociedade e traçar suas metas para o pós prisão, diante das dificuldades que o indivíduo irá enfrentar após anos de encarceramento, ter um instrumento para formular planos de ações e efetividade na luta para manter-se longe da criminalidade, passando a buscar novas formas de voltar ao mercado de trabalho e convívio familiar e social.

 

O código penal(CP) brasileira em seu artigo 33  fala sobre os tipos de regime de cumprimento de pena existentes.

 

Art. 33 do CP brasileiro ( LEI 7.209 de 11.07.1984) – “Art. 33 -A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado. (BRASIL, 1940)

 

Diante das dificuldades encontradas das pessoas presas ao se depararem com o regime de Semiaberto, em que elas precisam se preparar para após anos de prisão, retornarem gradativamente ao convívio social, diminuir a incidência de evasões e abandonos nesse regime, o NeuroCoaching apresenta uma proposta inovadora para essa população.

 

O cárcere por si só não ressocializa, um trabalho multidisciplinar é fundamental para que a ressocialização aconteça. Após passar anos enclausurados em celas superlotadas, a pessoa presa ganha o direito do benefício de Semiaberto e ao se depararem com  as saídas temporárias que lhes dão uma amostra da tão sonhada liberdade, a pessoa se depara muitas vezes sem planos para o pós prisão e são facilmente conquistadas pelos convites de retorno a vida delitiva, para que isso não ocorra é necessário apresentar a essas pessoas uma nova proposta, e o NeuroCoaching pode apresentar a essas pessoas que existe possibilidades de voltar a sociedade pelas portas da frente, enfrentando as dificuldades e traçando metas de ação.

 

SEMIABERTO  E NEUROCOACHING

 

Segundo o Artigo 35 o regime semiaberto :

 

“Art. 35 do CP0 (Lei nº 2.848  de 11.07.1984) – Art 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput, ao condenado que inicie o cumprimento da pena em regime semiaberto.   § 1º - O trabalho externo é admissível, bem como a frequência a cursos supletivos, profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou superior. Para saídas temporárias, em especial visita periódica ao lar, o benefício só pode ser concedido, desde que cumprido ¼ (um quarto) do total da pena se o regime inicial fixado foi o semiaberto, não tenha havido regressão e o recomendarem as condições pessoais do condenado. § 2º - O prazo a que se refere o parágrafo anterior será de 1/6 (um sexto) do restante da pena se tiver havido progressão do regime fechado ao regime semiaberto.”(BRASIL, 1940)

 

Após cumprir 1/6 do crime ou para o crime hediondo deverá ser cumprido 2/5 se for primário e 3/5 se for reincidente, o sentenciado tem direito a montar seu benefício de semiaberto para poder assim progredir de pena, esse benefício dá direito a retornar gradativamente ao convívio social, sendo que ele antecede o regime de maior amplitude que seria o Livramento Condicional ou Regime aberto em que o indivíduo passa a cumprir o restante da sua pena em liberdade.

 

No regime semiaberto a pessoa passa a ter um convívio maior com a sociedade, podendo trabalhar fora da unidade prisional e retornando para dormir na prisão. Este regime favorece o indivíduo mostrar sua evolução para retornar a sociedade.

 

Para que a ressocialização seja efetivada o estabelecimento penal tem como atribuição montar projetos para contribuir com a progressão do preso, sendo então viável implantar as técnicas de NeuroCoaching para que esse indivíduo possa aproveitar este recurso para alcançar seus objetivos de manter-se longe da criminalidade.

 

“O Decreto nº  59.337/13 na sessão VIII das atribuições comuns art. 27 I. colaborar com outras unidades do estabelecimento penal na elaboração de projetos, atividades e trabalhos que visem à ressocialização dos presos.”(SÃO PAULO, 2013)

 

 

O NeuroCoaching é a junção da neurociência, psicologia e coach, unindo esses 3 pilares pode-se ter uma base mais solida para proporcionar mudança, o ser humano é complexo e tentar reduzi-lo somente a uma só dessas áreas Neurociência (cérebro) Psicologia (emoções) e Coaching (ação) é ignorar sua complexidade.

 

Ao unir os 3 pilares do NeuroCoaching podemos ajudar nosso cliente identificar e ressignificar as emoções que permeiam suas ações, levando-o a alcançar o seu objetivo. Ao nos depararmos com as emoções associadas as nossas ações, podemos identificar quais são as crenças que tenho relacionadas aquele comportamento podendo assim trazer a consciência quais são os reais motivos que o impedem de chegar ao seu objetivo.

 

No processo de NeuroCoaching é possível identificar e ressignificar as crenças que o impedem de concluir suas metas. As ferramentas oferecidas pelo processo consistem em Perguntas Impactantes de NeuroCoaching (PIN); Mapa da Emoção; Matriz de Crenças; Grade de Metas e Roda da vida.

 

A estrutura do NeuroCoaching busca que o cliente trabalhe no processo de mudança e avalie sua condição emocional diante da sua meta, para que esse processo ocorra de forma estruturada e mais eficaz é fundamental que se utilize o método ORIENTA ( Ouvir, Reportar, Inspirar, Entrepor, Navegar, Trabalhar, Avaliar) que proporciona ao NeuroCoaching um caminho a seguir, podendo de acordo com o cliente e sua necessidade passear nesses itens para chegar ao objetivo esperado que é a elaboração de metas e planos de ação.

 

Ao introduzir o NeuroCoaching no sistema prisional em especial ao Regime Semiaberto, podemos pensar em planos de ação junto com o sentenciado para que o mesmo possa sair da prisão com metas traçadas e com clareza do que necessita fazer para enfrentar as dificuldades que encontrará nessa jornada.

 

A pessoa presa ao se deparar com a liberdade precisa de recursos para enfrentar as dificuldades que encontrará na sociedade, muitos saem com a esperança de que será fácil encontrar oportunidades de emprego e aconchego familiar, algumas vezes são frustrados e voltam a delinquir, pois é o caminho conhecido, sendo assim  a proposta de implantar o NeuroCoaching no sistema prisional do Regime Semiaberto é dar a esses indivíduos condições de retornar ao convívio social com metas claras e estratégias eficientes., passando assim a diminuir a reincidência.